sábado, 2 de agosto de 2014

BRASIL: POTÊNCIA EM ASCENSÃO OU SUBDESENVOLVIMENTO MAQUIADO?



            A imprensa tem divulgado declarações que variam desde que não haveria mais fome no país até as que afirmam que existem mais de 50 milhões de famintos no Brasil. O novo governo adota o número de 40 milhões de pessoas que não teriam condições de se alimentar adequadamente todos os dias.
Que informação mais se aproxima da realidade? Como definir políticas públicas adequadas a partir de diagnósticos tão diferentes? Infelizmente, não existe uma resposta simples para estas perguntas. Não existe uma verdade única, mas sim diferentes visões de uma mesma realidade.
Todos olham para o mesmo Brasil, mas com diferentes perspectivas - o que gera diferentes visões sobre uma realidade que é indistinta. Por exemplo, no começo da gestão de um governo, provavelmente o saldo que ele fará da situação da fome no Brasil será negativo, visto que foi fruto do esforço da oposição. Já no fim de sua gestão, um governo olhará para o país com olhos de superação e poderá cometer o erro de analisar friamente números ou esquecer fatores como aumento de população, aumento de custo de vida, aumento da pressão consumidora, aumento da insalubridade no trabalho, dentre outros.
A reflexão sobre a fome no Brasil, portanto, perpassa complexas questões sociais e pressupõe uma visão crítica e conjunta dos vários setores sociais. A questão da alimentação, da fome e da má nutrição não pode ser olhada exclusivamente em sua dimensão econômica (acesso à renda), alimentar (disponibilidade de alimentos) ou biológica (estado nutricional). O ato de se alimentar e alimentar familiares e amigos é uma das atividades humanas que mais reflete a enorme riqueza do processo histórico de construção das relações sociais que se constituem no que podemos chamar de "humanidade", com toda a sua diversidade, e que está intrinsecamente ligado à identidade cultural de cada povo ou grupo social. (Valente, 2002).
A alimentação humana se dá na interface dinâmica entre o alimento (natureza) e o corpo (natureza humana), mas somente se realiza integralmente quando os alimentos são transformados em gente, em cidadãos e cidadãs saudáveis.
Comparativamente, pode-se citar o exemplo da escravidão no Brasil: os escravos tinham alimentação e não morriam de fome, mas caracterizá-los como apropriadamente nutridos é, evidentemente, um equívoco. Uma grande parte da população brasileira ainda não se alimenta adequadamente por não ter dinheiro suficiente para escolher o que comer. Dessa forma, perspectivas otimistas podem caracterizá-los como “acima da linha da pobreza” (expressão largamente adotada pelo governo atual), e perspectivas menos idealistas podem classificá-los como nutricionalmente deficientes.
Visto isso, é importante perceber que a fome no Brasil diminuiu inegavelmente nos últimos anos. No entanto, há ainda muito a melhorar e esconder isso atrás de números e estatísticas maquiadas somente engana àqueles sem senso crítico para enxergar a realidade. A melhoria do quadro da fome está diretamente associada à uma política de maior distribuição de renda e depende de uma visão de melhoria tanto do trabalhador da mansão, como do dono da propriedade.


REFERÊNCIA: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902003000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=pt



8 comentários:

  1. É incrível como governantes e dados estatísticos falaciosos tentam enganar e iludir a população a respeito das mazelas sociais que ainda assolam o país. "Somos a sexta maior economia do mundo", entretanto, essa riqueza toda param nas mãos de poucos. Isso reflete em grande parte da população marginalizada economicamente, socialmente e moralmente, sendo a fome apenas um dos problemas que ainda assola nossa sociedade.

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  2. Vale lembrar que o Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40 % da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. No dias de hoje, um terço da população é mal nutrido, 9 % das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37 % do total são trabalhadores rurais sem terras. Há ainda o problema crescente da concentração da produção agrícola, onde grande parte fica nas mãos de poucas pessoas, vendo seu patrimônio aumentar sensivelmente e ganhando grande poder político. A produção para o mercado externo, visando à entrada de divisas e ao pagamento da divida externa, vem crescendo, enquanto a diversidade da produção de alimentos dirigida ao mercado interno tem diminuído, ficando numa posição secundária. Ao lado disso, milhões de pessoas vivem em favelas, na periferias das grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, etc.

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  3. Outras tendências afetam também o panorama nutricional mundial. Por exemplo, o aumento da riqueza nas economias emergentes dá às pessoas acesso à dietas mais variadas, mas ante essa situação, as companhias de alimentos tentam conquistar esses novos mercados, e aumenta a competição pela terra agrícola entre os produtores de alimentos e de energia. Há, portanto, um aumento no preço dos alimentos e os pobres optam por comidas de baixa qualidade ou diretamente insalubres, que fazem parte da dieta das pessoas de menor renda, que podem oferecer calorias, mas não os nutrientes básicos necessários.

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  4. De acordo com a Organização, a combinação de crescimento econômico e programas sociais, permitiu ao País reduzir em 13% o número de pessoas subnutridas. O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas subnutridas no País em 2 milhões de pessoas no último triênio, segundo o informe ‘O Estado da Segurança Alimentar no Mundo’ (SOFI 2012), publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). De acordo com a FAO, o número de pessoas subnutridas no Brasil reduziu de 23 milhões (1990/92) para 13 milhões (2010/12). Somente nos últimos três anos, houve uma redução de 15 milhões (2007/09) para 13 milhões (2010/12), representando uma queda de 13%.

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  5. Interessante o poder da mídia de vender suas próprias verdades semelhante ao que era feito pelos sofista. A verdade é a verdade de cada um, quem convencer melhor seria o "dono da verdade". Nisso entra os inúmeros dados maquiadores do governo como a de que somos um país emergente, temos a sexta economia do mundo, mas será se estamos mesmo avançando no mesmo ritmo nas questões sociais? Será se melhoramos nossa educação? Será se acabamos com a fome? Ai entra o velho pensamento de Marxista que reafirmava o quanto a economia determinava outros aspectos da sociedade.... se a economia vai bem então o país vai bem. Não é mesmo?

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  6. O Brasil reduziu em 40% o número de pessoas passam fome no País entre 1992 e 2013, informou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em seu último relatório sobre a segurança alimentar no mundo. Nesse período, o número de brasileiros que passam fome foi reduzido de 22,8 milhões para 13,6 milhões de pessoas. Isso ocorreu porque contínuas taxas de crescimento econômico nos países em desenvolvimento e o consequente incremento nos níveis de renda têm melhorado o acesso à comida. Outras razões atribuídas foram uma aceleração no ritmo de crescimento da produtividade na agricultura e o crescente investimento público e privado no setor, o que garante uma maior oferta de alimentos.

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  7. É curioso como, mesmo de frente a uma mesma realidade, instituições diferentes apresentam interpretações diferentes de acordo com seus interesses. Isso torna, como foi dito no blog, mais complicado de combater o problema, pois não se tem uma noção correta da situação atual. O ideal seria que existisse um órgão não vinculado à mídia ou ao governo para fornecer os dados necessários. Infelizmente, isso não passa de uma visão utópica, e a cada dia mais pessoas sofrem com a problemática da fome.

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  8. A economia brasileira é a sétima do mundo em termos de Produto Interno Bruto e, em alguma medida, isso se reverteu em mudança social. Mas, ao seguir à risca um modelo de desenvolvimento excludente, surge um anticlímax: o país se expõe a um vexame quando se verifica a persistência da fome em algumas regiões. O que vem à tona claramente sobre o tema é que o Norte e o Nordeste apresentam quadros de insegurança alimentar incompatíveis com a riqueza nacional. Nessa geografia da fome atual, existem territórios em que populações vivem situações gravíssimas

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