domingo, 6 de julho de 2014

HISTÓRICO DA FOME NO BRASIL

            “A miséria no Brasil não é algo ocasional, mas resultado de um processo histórico que não resolveu questões básicas. Com a explosão dos índices de desemprego nos anos 90, ela se agravou. Hoje, há um amplo consenso de que o mais terrível dos efeitos da miséria, a fome, não é causada pela falta de produção de alimentos, mas pela falta de renda das famílias para adquirir os alimentos na quantidade necessária e com a qualidade adequada”. Esse é um dos tópicos da campanha eleitoral do ex-presidente Lula e que demonstra pertinência em qualquer época, já que a fome ainda é uma constante no país.
            
O problema da fome no Brasil tem suas raízes no processo histórico-político da formação da nossa economia, tendo suas origens no período colonial (séculos XVI ao XIX), relacionado com a prioridade do mercado exportador de matéria-prima (açúcar, tabaco, ouro, diamante, algodão, café) sobre o mercado interno (mandioca, feijão e milho) e da concentração da riqueza da colônia nas mãos de poucos proprietários. Inicialmente a população que tinha como base à cultura da cana de açúcar e o trabalho escravo se fixou ao longo do litoral. No século XVII, com o desenvolvimento da pecuária e da cultura de subsistência, foi acontecendo a interiorização do povoamento. Até então, a população conseguia manter um bom nível de autossuficiência alimentar. A partir do êxodo no sentido da Capitania das Gerais, com o início do Ciclo da Mineração aconteceu à importação de gêneros alimentícios de outros locais, em decorrência de dificuldades no transporte e conservação dos alimentos. Esse novo cenário de deficiência de abastecimento dos gêneros teve como consequência à elevação dos preços, a fome e distúrbios da ordem social - tanto os pobres como os senhores de engenho se sentiram prejudicados, uma vez que a alimentação da mão de obra escrava se problematizava. Entre o final do século XVII e início do século XVIII, tivemos 25 anos de fome no Brasil e outros dois terços de carestia e penúria. O cerne da questão se encontrava nas relações entre o grande produtor mercantil e a produção para o abastecimento interno, pois o comércio colonial oferecia rendimentos muito mais elevados, delegando um perfil de pobreza aos pequenos agricultores. No início do século XVIII, o governo colonial tenta impedir a mudança de cultivo de gêneros pelos agricultores, gerando crescente tensão entre os dois segmentos com os mecanismos de fluxo de renda no interior da colônia como principal força motriz da crise. A primeira ação de governo para evitar a fome foi tomada ainda em 1700: grandes áreas de cultivo de cana de açúcar e tabaco foram substituídas para dar lugar as plantações de alimentos. Em fins do século XIX e início do século XX, a abolição da escravatura e a expansão demográfica, em simultâneo com a difusão do modo de produção capitalista no mercado interno desencadearam uma série de transformações no sistema produtivo e na estrutura de classes no país. As manifestações se fizeram sentir nos movimentos contra a carestia e a perda do poder aquisitivo das classes populares. Durante a guerra, o mercado exportador de alimentos cresceu, mas em torno de 1920, começou a ter a concorrência acirrada do mercado internacional. 
Hoje, o problema da fome no país está dando sinais de melhora, entretanto ainda esbarra em questões sociais, das quais destaca-se a desigualdade econômica. O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas subnutridas no País em 2 milhões de pessoas no último triênio, segundo o informe ‘O Estado da Segurança Alimentar no Mundo’ (SOFI 2012), publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). De acordo com a FAO, o número de pessoas subnutridas no Brasil reduziu de 23 milhões (1990/92) para 13 milhões (2010/12). Somente nos últimos três anos, houve uma redução de 15 milhões (2007/09) para 13 milhões (2010/12), representando uma queda de 13%.

Esse sucesso é atribuído geralmente aos programas assistencialistas, como o Bolsa Família e o aumento do poder aquisitivo do brasileiro. No entanto, nem tudo são flores: o país ainda apresenta altíssimos índices de disparidade econômica, indicando que a fome poderia ser bem menor do que é. Não devemos nos conformar com tão pouco, principalmente tendo em vista o histórico do país de conquistas sociais condicionadas pela mobilização da população.



REFERÊNCIAS:  http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=467
                              http://www.onu.org.br/fao-brasil-reduziu-a-fome-em-dois-milhoes-de-pessoas-nos-ultimos-3-anos/
                             http://www.ufrn.br/davinci/abril/contracapa.htm 


           
           

             

7 comentários:

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  2. Importante ressaltar que a implantação de políticas estruturais para erradicar a miséria requer muitos anos para gerar frutos consistentes. Mas a fome não espera e segue matando a cada dia, produzindo desagregação social e familiar, doenças, desespero e violência crescentes. Para combater a fome, não podemos nos limitar às doações, bolsas e caridade. É possível erradicar a fome por meio de ações integradas que aliviem as condições de miséria. Articuladas com uma política econômica que garanta uma expansão do Produto Interno Bruto de, pelo menos, 4% ao ano, esse objetivo pode ser conseguido em até uma geração.

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  3. É válido ressaltar que programas assistencialistas como o Fome Zero e e o Bolsa Família vieram para somar para a solução da fome no Brasil. Atualmente, há uma proporção de miseráveis muito pequena no Brasil e que não possui como se alimentar. As nutrições por meio destes programas são completas, haja vista que a cesta básica possui variados tipos orgânicos das mais variadas classes nutritivas, logo as demandas de carboidrato, lipídeos e proteínas são supridas por essas famílias. É necessário abrangir esses programas para que possamos eliminar, de vez, a fome no Brasil.

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  4. A fome é resultado de grandes falhas para tentar se corrigir um longo histórico de concentração de terras, iniciado com as Capitanias Hereditárias e ratificada pela Lei de Terras. A tentativas de se fazer uma reforma agrária no país foram sufocadas por um Golpe Militar apoiado pela classe média, pela ala conservadora da Igreja e pelos grandes latifundiários. Infelizmente, apesar de melhorias evidentes na redução desse quadro de fome, com o Bolsa Família e o Programa Fome Zero, a fome ainda não foi erradicada, panorama esse bem vergonhoso para o país que é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo.

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  5. Na década de 80 o Brasil vivia situações precárias de fome, onde quase 40% da população estava em situação de extrema de pobreza. Atualmente este problema ainda existe, porém não é tão agravante como antes, atingindo uma parcela menor da população, sendo a maioria habitante de zonas rurais e distantes, o que dificulta o acesso e a comunicação com outras regiões. A fome destas populações está relacionada à falta de recursos para comprarem e adquirirem alimentos. A região mais afetada é o Nordeste. Pode-se citar também as consequências imediatas da fome são a perda de peso nos adultos e as crianças, levando eventualmente à morte, e ao aparecimento de problemas no desenvolvimento das crianças, geralmente limitando as suas capacidades de aprendizagem e produtividade. Assim, é é necessário que haja uma atitude por parte dos governos de todos os países afetados pela fome, para criarem metas e soluções minimizando a fome, que ainda está presente em pleno século XXI.

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  6. incentivos para as cadeias de comida rápida para incorporar nutrientes adequados em sua oferta; introduzir regulações e padrões nacionais e internacionais para os valores nutricionais, a produção de alimentos, a logística e as cadeias de fornecimentos; vender balas de baixo custo, patrocinadas pela Unicef, com adição de ferro e proteínas, para prevenir o mal de “kwashiorkor”, que pode limitar o desenvolvimento do cérebro; incorporar a informação nutricional no currículo nacional, especialmente em tenra idade; introduzir a nutrição como uma disciplina eletiva nas universidades; campanhas públicas para uma alimentação saudável; leis restritivas para alimentos não saudáveis, entre outras.

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  7. A fome provém da falta de alimentos que atinge um número elevado de pessoas no Brasil e no mundo. Apesar dos grandes avanços econômicos, sociais, tecnológicos, a falta de comida para milhares de pessoas no Brasil continua. Esse processo é resultado da desigualdade de renda, a falta de dinheiro faz com que cerca de 32 milhões de pessoas passem fome, mais 65 milhões de pessoas que não ingerem a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária.

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