domingo, 13 de julho de 2014

FOME NO PRODUTOR MUNDIAL DE ALIMENTOS


            A principal incumbência dos animais é obter o alimento diariamente para poder perpetuar sua espécie. Seja caçando ou abrindo a geladeira. A fome, e a necessidade de controlá-la, é universal entre os integrantes do Reino Animmalia. Os seres humanos, como animais, portanto não são diferentes. A diferença é que como o homem estabeleceu-se em sociedades altamente complexas, o seu método de obtenção/distribuição/uso do alimento se torna dependente de fatores socioeconômicos, diferentemente dos outros animais.
            A atual produção mundial de alimentos é superior à capacidade de consumo dos seres humanos. Assim, podemos constatar que a fome não resulta de uma baixa produtividade ou de pouca produção de alimentos no mundo. A questão, entretanto, é a seguinte: como os 860 milhões de seres humanos que passam fome podem ter acesso aos alimentos? No cerne da fome no Brasil, estabeleçamos três vertentes de possíveis respostas:
1)    Desigualdade econômica: Provavelmente o principal obstáculo no caminho de combate à fome. No Brasil, alimentar-se corretamente continua caro. Quando se fala “adequadamente”, tenta-se aludir a uma alimentação completa de nutrientes e não apenas a saciedade. A alimentação mais adequada, com frutas, carboidratos, sais minerais e vitaminas é frequentemente substituída pela alternativa de alimentos mais baratos industrializados e pré-prontos, principalmente pelos mais pobres. Isso cria uma situação de “fome nutricional”, diferente do sentido fisiológico da fome.
2)    Brasil produtor mundial de gêneros lucrativos: O Brasil produz excessivamente soja, café, algodão, cacau, laranja, enfim, as monoculturas destinadas à exportação, produtos que, em sua maioria, não são consumidos pelos brasileiros. Por outro lado, o país produz pouco arroz, feijão e mandioca, produtos que constituem a base alimentar dos brasileiros e passaram a ser importados com dinheiro das assim chamadas divisas do superávit da balança comercial, resultante das exportações agrícolas. Essa é uma das formas de desigualdade que contribui para a concentração de renda nos países ricos e pobres e para o aumento da fome. 
3)    Pouco incentivos a programas de agricultura familiar: Consequência do fator de número 2, uma vez que a monocultura exportadora traz mais lucros e benefícios a curto prazo. Historicamente, a agricultura de subsistência sempre viveu em detrimento da agricultura comercial. A agricultura familiar não recebe apoio público na forma como deveria receber, considerando sua importância para a soberania alimentar das nações. O debate sobre os subsídios agrícolas também é fundamental no que se refere à alimentação. Na Europa, por exemplo, é subsidiada a agricultura que não precisa do subsídio (os grandes produtores rurais e corporações agrícolas), em função da pressão política das suas organizações. O governo apoia, prioritariamente, quem expande sua capacidade produtiva, o que gera um problema de superprodução. Em seguida, para compensar os baixos preços decorrentes do excesso produzido, os governos subsidiam a exportação desses produtos, que entram no mercado internacional, destruindo a produção em outros países e gerando uma nova dependência.

Assim, percebe-se que a fome no Brasil é resultado de um processo histórico. Para superá-lo, provavelmente a população precisará se mobilizar no sentido de desatrelar os governantes das amarras comerciais as quais eles impuseram o país. O ser humano, no campo da selva capitalista, precisa superar uma presa maior e mais infiel que os outros animais: a desigualdade econômica.

REFERÊNCIA: http://www.nossofuturoroubado.com.br/arquivos/maio_09/trangenicos_producao_de_alimentos.html

8 comentários:

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  2. A fome é um problema que assombra grande parte dos habitantes do planeta e para solucionar esta questão não basta aumentar a produção de alimentos por intermédio da ampliação da área plantada ou pelo aumento de safras, fazendo-se necessário que se tomem atitudes relacionadas também com o controle dos desperdícios. O custo e o consumo de alimentos dependem de variáveis sociais e de mercado que determinam o acesso da população aos alimentos. São elas: a concentração da terra e da renda, o desemprego e as desigualdades do desenvolvimento econômico, agravantes dos mecanismos das iniqüidades regionais, todas, produtos de um processo de desenvolvimento desigual e excludente para a maioria. Assim sendo, a relação entre desperdício e fome nacional, tem sua razão de ser, visto que acredita-se ser possível diminuir o preço dos alimentos se esta margem de perdas fosse exterminada dos cálculos de produção, levando a um barateamento dos alimentos, porém, não se tem a pretensão de resolver o problema da fome no Brasil ou no mundo, simplesmente resolvendo a questão dos desperdícios alimentares, por outro lado, não é possível conceber o desperdício onde a fome ainda existe. O desperdício é um mal que precisa ser combatido por todos e iniciado, preferencialmente dentro da própria casa. Não se consegue grandes mudanças mundiais apenas pensando-se globalmente com projetos mirabolantes. Grandes mudanças do comportamento universal começam de forma humilde, com o exemplo próprio. Pensar globalmente – agir localmente.

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  3. O difícil é entender um país onde os recordes de produção agrícola se modificam de maneira crescente no decorrer dos anos, enquanto a fome faz parte do convívio de um número alarmante de pessoas. A monocultura tem como objetivo a exportação, pois grande parcela da produção é destinada à nutrição animal em países desenvolvidos.
    Mesmo com programas sociais federais e estaduais o problema da fome não é solucionado, o pior é que ela se faz presente em pequenas, médias e grandes cidades e também no campo, independentemente da região ou estado brasileiro.
    A solução para a questão parece distante, envolve uma série de fatores estruturais que estão impregnados na sociedade brasileira. Fornecer cestas básicas não resolve o problema, apenas adia o mesmo, é preciso oferecer condições para que o cidadão tenha possibilidade de se auto-sustentar por meio de um trabalho e uma remuneração digna.

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  4. Pode-se perceber que os três fatores citados geram um ciclo infindável e muito difícil de ser quebrado. A imensa desigualdade econômica presente em nosso país, ao mesmo tempo em que causa vasta miséria em um dos extremos (impossibilitando o consumo de alimentos), concentra o capital nas mãos de uma seleta gama de empresários que, por só se importarem com um lucro maior, investem apenas na agroindústria de exportação, e deixam a agricultura familiar. O processo gera mais lucro aos empresários, e maior miséria aos que têm pouca renda pra consumir mesmo os alimentos mais básicos, pois estes serão encarecidos pela importação. E assim o ciclo se perpetua.

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  5. Existem programas assistencialista que visam diminuir principalmente os problemas gerados pelo primeiro fator citado na postagem: A desigualdade social.
    m 2006 o governo federal universalizou o Programa Bolsa Família no Brasil e no Piauí. Ou seja, o programa chegou a todas as famílias com requisitos para receber os benefícios, baseados em dados do IBGE. A nova proposta é fazer o sentido inverso: garantir oportunidade de trabalhão e renda a essas famílias para que elas possam se auto-sustentar e não mais depender do auxílio governamental para terem acesso a uma alimentação adequada.

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  6. O problema da falta de acesso a alimentos causa um outro: obesidade, porque as pessoas vão comprar alimentos que deem saciedade, que são muitas vezes saudáveis em oposição a outros. Para reverter e minimizar essa situação pode-se criar programas como o Fome Zero, que foi criado em 2003, para reduzir e combater a fome no país, incluindo cozinhas comunitárias, bancos de alimentação e até transferências de dinheiro, reduzindo a fome de mais de 44 milhões de famílias, também reduzindo em 73% a desnutrição infantil. Com o lançamento do programa Fome Zero, no governo Lula, o índice de fome reduziu bastante, ao contrário da pobreza, que esta relacionada com uma melhor distribuição de renda e reforma agrária, para ser reduzida. Assim é preciso que esses programas existam a fim de garantir acesso a uma alimentação adequada a todos os indivíduos.

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  7. O número de famintos no Brasil é extremamente elevado, tendo em vista a extensão territorial do país que apresenta grande potencial agrícola. Mas isso é irrelevante, uma vez que existe uma concentração fundiária e de renda. Grande parte do dinheiro do país está nas mãos de somente 10% da população brasileira. O difícil é entender um país onde os recordes de produção agrícola se modificam de maneira crescente no decorrer dos anos, enquanto a fome faz parte do convívio de um número alarmante de pessoas. A monocultura tem como objetivo a exportação, pois grande parcela da produção é destinada à nutrição animal em países desenvolvidos. Mesmo com programas sociais federais e estaduais o problema da fome não é solucionado, o pior é que ela se faz presente em pequenas, médias e grandes cidades e também no campo, independentemente da região ou estado brasileiro.

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  8. Um dos grandes problemas da fome que pode se apontado é também o grande desperdício de alimentos, dado que encarece muito o preço do alimento, dificultando mais ainda seu acesso. Segundo dados da Embrapa, 2006, 26,3 milhões de toneladas de alimentos ao ano tem o lixo como destino. Diariamente, desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas por dia, quantidade esta suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar (VELLOSO, Rodrigo. Comida é o que não falta. Superinteressante. São Paulo: Ed. Abril, nº 174, março/2002).

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