A
FOME COMO MOTRIZ DA TRANSGENIA
Visto pela primeira vez, o título deste post pode causar
estranhamento ou mesmo desconfiança: como a fome, problema social em sua raiz,
pode interferir em um assunto que depende primariamente de pesquisas científicas?
A resposta é simples: com o aumento da população mundial e o não concomitante
aumento das áreas de plantio de alimentos, os governos têm intensificado suas
preocupações com a fome e como combatê-la.
Dessa forma, os governantes, com o apoio da população
instruída, vêm aumentando os investimentos em pesquisa na área de transgenia,
que embora esteja envolta de questões éticas, tem provado ser possível o
aumento do rendimento de culturas alimentares sem a necessidade de aumento
exagerado de terras de plantio.
De fato, O Prêmio Nobel da
Paz norte-americano, Norman Ernest Borlaug, revelou acreditar que sem a
agricultura intensiva, não há como alimentar a população mundial. Pesquisador e
defensor dos alimentos transgênicos, Dr. Borlaug entende ser esta uma das
soluções para a fome, um dilema pelo qual ele vem lutando há anos.
Nesse contexto, é necessário “pesar”
os prós e contras do cultivo de transgênicos. Essa técnica favorece o cultivo
de espécies mais resistentes contra pagas e o aumento da produtividade.
Entretanto, há a ressalva de que as consequências da ingestão de espécies
transgênicas ainda não foram totalmente esclarecidas. Este é o centro da grande
dúvida que envolve os transgênicos: eles fazem mal ou são inócuos ao organismo
humano?
Toda a questão sobre os alimentos
transgênicos estabelece com a fome uma relação íntima, a partir do momento em
que o cultivo de transgênicos barateia o custo da produção de alimentos (por
aumentar a produtividade) e, com isso, facilita o acesso à alimentação,
principalmente dos mais pobres.
No Brasil, o cultivo de transgênicos
está em desenvolvimento, embora ainda seja tímido. Isso porque o país apresenta
uma área relativamente grande que ainda poderia
ser usada para cultivo e o país continua sendo um dos maiores exportadores
mundiais de gêneros primários, como a soja(o que significa que a maioria dos
países ainda prefere comprar alimentos nos quais não foram usadas modificações
genéticas).
Uma coisa é certa: é preciso lembrar
que as pessoas não devem ser tratadas como cobaias, pois como já dito, as
consequências da ingestão de alimentos geneticamente modificados ainda não
foram totalmente esclarecidas. Num primeiro momento, é de se esperar que seja
interessante para um agricultor colher o dobro de sua safra, e mais resistente,
em um mesmo metro de terra. Mas ainda haverá muita discussão em torno dos
transgênicos até que eles sejam considerados a ‘salvação da lavoura’. E pode se
passar um tempo demasiado longo antes que a população seja inteirada dos
efeitos de um alimento geneticamente modificado, que nem mesmo os países mais
adiantados como os Estados Unidos não chegaram ainda a controlar. Enquanto
agricultores, produtores, cientistas e ambientalistas não chegam a um consenso,
a população continua crescendo, assim como a fome no mundo também.
Deve-se ter cuidado para não
transformar uma potencial ferramenta de extermínio da fome em um catalisador de
caos social.
Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3833/-1/alimentos-transgenicos.html#A Fome no Mundo: Polêmica e Ética - Quanto Vale uma Vida?








