segunda-feira, 2 de junho de 2014

A FOME COMO MOTRIZ DA TRANSGENIA



            Visto pela primeira vez, o título deste post pode causar estranhamento ou mesmo desconfiança: como a fome, problema social em sua raiz, pode interferir em um assunto que depende primariamente de pesquisas científicas? A resposta é simples: com o aumento da população mundial e o não concomitante aumento das áreas de plantio de alimentos, os governos têm intensificado suas preocupações com a fome e como combatê-la.
            Dessa forma, os governantes, com o apoio da população instruída, vêm aumentando os investimentos em pesquisa na área de transgenia, que embora esteja envolta de questões éticas, tem provado ser possível o aumento do rendimento de culturas alimentares sem a necessidade de aumento exagerado de terras de plantio.
            De fato, O Prêmio Nobel da Paz norte-americano, Norman Ernest Borlaug, revelou acreditar que sem a agricultura intensiva, não há como alimentar a população mundial. Pesquisador e defensor dos alimentos transgênicos, Dr. Borlaug entende ser esta uma das soluções para a fome, um dilema pelo qual ele vem lutando há anos.
            Nesse contexto, é necessário “pesar” os prós e contras do cultivo de transgênicos. Essa técnica favorece o cultivo de espécies mais resistentes contra pagas e o aumento da produtividade. Entretanto, há a ressalva de que as consequências da ingestão de espécies transgênicas ainda não foram totalmente esclarecidas. Este é o centro da grande dúvida que envolve os transgênicos: eles fazem mal ou são inócuos ao organismo humano?
            Toda a questão sobre os alimentos transgênicos estabelece com a fome uma relação íntima, a partir do momento em que o cultivo de transgênicos barateia o custo da produção de alimentos (por aumentar a produtividade) e, com isso, facilita o acesso à alimentação, principalmente dos mais pobres.
            No Brasil, o cultivo de transgênicos está em desenvolvimento, embora ainda seja tímido. Isso porque o país apresenta uma área relativamente grande  que ainda poderia ser usada para cultivo e o país continua sendo um dos maiores exportadores mundiais de gêneros primários, como a soja(o que significa que a maioria dos países ainda prefere comprar alimentos nos quais não foram usadas modificações genéticas).
            Uma coisa é certa: é preciso lembrar que as pessoas não devem ser tratadas como cobaias, pois como já dito, as consequências da ingestão de alimentos geneticamente modificados ainda não foram totalmente esclarecidas. Num primeiro momento, é de se esperar que seja interessante para um agricultor colher o dobro de sua safra, e mais resistente, em um mesmo metro de terra. Mas ainda haverá muita discussão em torno dos transgênicos até que eles sejam considerados a ‘salvação da lavoura’. E pode se passar um tempo demasiado longo antes que a população seja inteirada dos efeitos de um alimento geneticamente modificado, que nem mesmo os países mais adiantados como os Estados Unidos não chegaram ainda a controlar. Enquanto agricultores, produtores, cientistas e ambientalistas não chegam a um consenso, a população continua crescendo, assim como a fome no mundo também.
            Deve-se ter cuidado para não transformar uma potencial ferramenta de extermínio da fome em um catalisador de caos social.
           


Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3833/-1/alimentos-transgenicos.html#A Fome no Mundo: Polêmica e Ética - Quanto Vale uma Vida?

            

domingo, 25 de maio de 2014

SE VOCÊ ACHA ALGUMA COISA INDISPENSÁVEL, IMAGINA SÓ O QUE PENSA SOBRE OS CARBOIDRATOS

            O corpo humano, caso não esteja sob privação de algum nutriente, tem uma sequência específica para obtenção de energia. Dessa forma, incialmente o organismo dá prioridade à quebra de carboidratos (4kcal/g), seguidos de lipídios(9kcal/g) e finalmente as proteínas(4kcal/g).

            Entretanto, caso haja falta de algum nutriente, o organismo pode sofrer consequências que aumentam de seriedade de acordo com o aumento do tempo de jejum daquele nutriente. Nessa postagem iremos falar um pouco sobre as consequências da falta de carboidratos no organismo.


Os carboidratos são compostos que, em geral, apresentam a fórmula empírica (CH₂O)n. São poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas, ou substâncias que, hidrolisadas, liberam estes compostos. Carboidratos com sabor doce, como sacarose, glicose e frutose, comuns na alimentação humana, são chamados açúcares .
            As principais fontes de carboidratos são de origem vegetal (exceto o leite, que contem a lactose, um dissacarídeo). Como fontes vegetais temos os cereais (trigo, arroz, aveia, milho, etc.), os legumes e frutas, as leguminosas (lentilhas, feijão, grão de bico, ervilha, etc.) e os "açúcares conhecidos", como o mel, melado, açúcar.
            As funções dos carboidratos, entre fornecer energia, são: função estrutural, ajuda na manutenção do sistema nervoso, metabolismo de gorduras, participação na função de desintoxicação do fígado e formação da matriz dos tecidos conjuntivo e nervoso.
            Entretanto, antes de falar sobre as consequências diretas da carência de carboidratos no organismo, devemos quebrar o estereótipo do “melhor e pior carboidrato”.
            De acordo com vários estudos, a quantidade de carboidratos digeríveis no que você come é mais importante que seu tipo (açúcar ou amido), em termos de glicose no sangue. Em outras palavras, um carboidrato é um carboidrato. Enquanto um lanche com um biscoito de chocolate recheado possa parecer "ruim" e um lanche com três biscoitos pequenos sem açúcar possa parecer "bom", seu corpo não consegue diferenciá-los se os dois lanches tiverem a mesma quantidade de carboidratos digeríveis. Ambos aumentarão seu nível de glicose na mesma quantidade.
             Você pode estar pensando, "De jeito nenhum." Pode ser que seus preconceitos estejam lhe dizendo que comer um biscoito recheado ou uma barra de chocolate vai aumentar seus níveis de glicose, mais do que comer uma batata cozida ou mesmo alguns biscoitos sem açúcar. Talvez sua experiência o ajude. O culpado nessa discrepância aparente, entretanto, não é o tipo de carboidrato. Seus preconceitos - e a quantidade total de carboidratos que você consome - são provavelmente os responsáveis.
Por outro lado, a ausência desses compostos pode trazer consequências desagradáveis ao corpo. Principalmente porque, como já dito, eles têm prioridade sobre as outras macromoléculas na ordem de absorção energética, visto que os lipídios são mais difíceis de serem oxidados e as proteínas geralmente são usadas em processos fundamentais do organismo.
Doenças do coração: a abordagem tradicional para tratamento ou prevenção das doenças cardiovasculares (DCV) tem sido por longo tempo uma dieta pobre em gordura e rica em carboidrato. A conexão entre gordura, especialmente a gordura saturada e as doenças do coração foi estabelecida há muitos anos. A gordura saturada, encontrada particularmente em grandes quantidades de carne vermelha e laticínios, aumenta o nível de colesterol LDL (o "mau" colesterol). Para auxiliar a reduzir o risco de doenças do coração, a American Heart Association (AHA - Associação Americana do Coração) atualmente  recomenda uma dieta rica em frutas, verduras, legumes (grãos); carboidratos complexos integrais e não-refinados; laticínios com baixo teor de gordura; peixe, carnes magras e aves. O AHA também recomenda a redução da quantidade de gorduras hidrogenadas (trans) na sua alimentação. As recomendações para educação e orientação nutricional da AHA e outras instituições enfatizam a distinção entre as gorduras benéficas para o coração e a importância dos carboidratos "saudáveis".
Doenças gastrintestinais: os carboidratos complexos, tais como frutas e verduras, grãos e cereais integrais, são particularmente úteis para a melhoria da saúde gastrintestinal. Estes alimentos são ricos em fibras, que desempenham uma função essencial na redução da incidência de constipação e diverticulose, um distúrbio que causa a formação de pequenas hérnias na parede, chamadas divertículos.
Assim, no contexto da fome no Brasil, as pessoas desafortunadas que são privadas de alimentação adequada, além de estarem sujeitas a uma condição de comer “o que tem”, podem estar sob a ameaça de tais doenças associadas a ingestão de alimentos inadequados no sentido da preservação da saúde, mas convenientes para matar a fome. Se uma pessoa nem tem o que comer, será se ela pode escolher que tipo de carboidrato ela deve comer?Ir a um nutricionista, para uma pessoa sem condições de escolher sua dieta, é praticamente inviável.

FONTES: MARZZOCO, Anita; TORRES, Bayardo Baptista. Bioquímica Basica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
http://saude.hsw.uol.com.br/como-escolher-carboidratos3.ht
http://saude.hsw.uol.com.br/dieta-anti-diabete5.htm
http://www.ocorpohumano.com.br/carboidratos.htm

quarta-feira, 14 de maio de 2014

ATÉ A FOME VARIA ENTRE AS DIFERENTES CLASSES E PESSOAS?


                                  

                                    A fome atinge um número elevado de pessoas no Brasil e no mundo. Apesar dos grandes avanços econômicos, sociais, tecnológicos, a falta de comida para milhares de pessoas no Brasil continua. Esse processo se deve, em grande parte, à desigualdade de renda: a falta de dinheiro faz com que cerca de 32 milhões de pessoas passem fome, mais 65 milhões de pessoas que não ingerem a quantidade mínima diária de calorias, ou seja, se alimentam de forma precária.
                                   Na base do cérebro se encontra a chave para controlar o apetite: o hipotálamo, uma glândula que recebe informações sobre o estado de suas reservas energéticas e ativa a sensação de fome quando estas diminuem. Provavelmente o hipotálamo dos 32 milhões de brasileiros que passam fome os avisa constantemente que eles precisam comer, o que nem sempre é saciado.
                                    Esse controle metabólico é normal. Cruel, mas normal. Talvez, se pudessem, os brasileiros que convivem com a fome “avisariam” aos seus cérebros que já estão cientes de que precisam de mais nutrientes e não podem suprir sua necessidade devido a uma deficiência social.
                                    Mas até a fome parece ser submetida à disparidade social e comportamental no sentido de que esse metabolismo de procura por nutrientes às vezes assume comportamentos diferentes entre as pessoas . Por isso, às vezes estamos “morrendo de fome” após apenas poucas horas sem comer e em algumas situações de estresse ou euforia parecemos “nos esquecer da fome”.
                                   Quando aparecem problemas de origem nervosa ou psicológica, o hipotálamo se desajusta e os sinais emocionais se misturam com os sinais referentes aos alimentos no organismo. Há pessoas que ante a uma situação de estresse recebem sinais de saciedade do hipotálamo e deixam de sentir fome, emagrecendo ante as situações de tensão. Isso provavelmente não acontecerá a uma pessoa que está a horas procurando um alimento e a obtenção de nutrientes se tornou meta imediata do seu organismo. Não se está dizendo que algumas pessoas estão imunes ao efeito negativo de situações estressantes. Entretanto, a fome constante parece muitas vezes mascarar o efeito negativo  que tais situações poderiam exercer.
                                   Dessa forma, pode-se perceber que o mecanismo da fome, embora pareça tão simplificado, depende de complexas interpretações neurológicas sobre o nosso estado físico em determinados momentos. Embora a fome ainda seja fator universal e não faça distinção entre quem pode e não poder se alimentar adequadamente, seu conceito e sua percepção parecem variar. Ademais, certamente que a fome ainda se apresenta como um problema sofrível num país que se apresenta como um dos maiores produtores mundiais de alimentos.