segunda-feira, 23 de junho de 2014

QUANDO A SAÚDE BATE APENAS ÀS PORTAS MAIS BEM ADORNADAS

            É inegável que uma maior quantidade de brasileiros atualmente têm mais acesso à alimentação, quando se compara os números atuais de pessoas desnutridas com os números de 40 anos atrás. No entanto, o aumento do poder econômico não parece ter sido acompanhado de educação alimentar e o que poderia indicar um avanço no sentido de uma população saudável, na verdade, parece seguir o raciocínio contrário. Na verdade, as estatísticas de obesidade parecem, surpreendentemente, predominar entre a classe C(a tão anunciada nova classe média).

            O preço é o principal entrave para que a comida saudável se popularize no país. Empresários do setor relatam que, por utilizarem alimentos frescos e perecíveis, seus custos são mais altos e a logística, mais complexa. Daí os pratos serem mais caros.
            “Quem não comia nada e passou a ter condições de se alimentar não está preocupado com comida saudável. Essas pessoas ainda estão em outro momento”, avalia Ricardo Daumas, diretor de foodservice da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza. “Leva tempo até que se informem, se aculturem e mudem para um padrão melhor de alimentação.”
Por tudo isso, a maioria dos negócios que apostam em culinária saudável são voltados para consumidores das classes A e B. Hoje, metade dos recursos que este público destina à alimentação corresponde a gastos com refeições fora do lar, aponta o IBGE – porcentual semelhante ao padrão europeu. Entre todas as classes sociais, entretanto, as refeições fora de casa consomem 29% dos recursos com comida.
É importante lembrar também que, além de terem condições de arcar com os custos de dietas mais saudáveis, os constituintes das classes mais altas frequentemente apresentam menor jornada de trabalho, maior tempo de exercícios físicos e maior informação. Ao passo que pessoas de classes mais baixas ainda conservam a mentalidade de que é saudável quem ingere maior quantidade de alimentos e não possuem tanta informação nutricional adequada e, mais importantemente, ainda não foram instruídos à “cultura dos alimentos verdes”.

Dessa forma, as classes D e E são alvos fáceis da disseminação da cultura alimentar midiática dos fast foods e frituras, uma vez que são ludibriados com a ideia de que esse tipo de alimentação os enfeitará com o status de classe média que, afinal, demoraram tanto a conseguir. Enquanto alguns ainda repousam sobre o ditado de que come melhor quem come mais, outros se conservam mais saudáveis por mais tempo. Novamente, a doença parece escolher por classe social e a saúde parece cobrar por honorários.

            


   
                      http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,preco-atrapalha--mas-alimentacao-saudavel-deve-chegar-ate-a-classe-c,1394,0.htm


sábado, 14 de junho de 2014

EFEITOS  DA CARÊNCIA DE PROTEÍNAS



Continuando com as postagens sobre os efeitos bioquímicos da fome, especialmente olhando para o Brasil, falaremos agora um pouco sobre quais os efeitos inerentes à carência de proteínas no organismo humano.
A fome crônica é uma carência constante de alimentos suficientes para manter o organismo em perfeito funcionamento.  Difere da fome aguda, que é um tipo de fome intensa e momentânea, causada pela privação temporária de alimentos. Os indivíduos ou populações sujeitos à fome crônica pertencem a comunidades pobres, são pessoas desnutridas e que desenvolvem diversas doenças em consequência da falta de nutrientes necessários para a constituição de saúde física e intelectual.
Nesse intuito, essas pessoas frequentemente são acometidas com a falta de proteínas no organismo, o que, devido às inúmeras funções desses compostos poliméricos no corpo humano, certamente trará graves prejuízos.
As proteínas são responsáveis pela formação e manutenção dos tecidos celulares e pela síntese dos anticorpos contra infecções. Produzem ainda energia e ajudam na formação da hemoglobina do sangue e de variadas enzimas.
Em casos de carência, a falta de proteínas causa debilidade, edemas, insuficiência hepática, apatia e até baixa das defesas do organismo. Em caso de excesso, existe o risco de acidificação sanguínea, gota e doenças renais e reumáticas.
Comparando-se o rendimento energético das principais macromoléculas ingeridas pelo ser humano tem-se, em ordem de prioridade de oxidação:
- carboidratos (4 kcal/g)
- lipídios (9 kcal/g)
- proteínas (4 kcal/g)
Percebe-se então que as proteínas são a “última escolha” do organismo para se manter nutrido e, assim, uma pessoa que apresenta carência de proteínas provavelmente está passando por um grave quadro de desnutrição ou não está se alimentando de forma adequada (está suprimindo um ou mais aminoácidos essenciais de sua dieta).
Nesse contexto, é importante destacar o caso da dieta vegana: devido à suspensão de quaisquer alimentos de origem animal, o senso comum leva a pensar que tal dieta é sempre insuficiente. No entanto, com o planejamento adequado, uma dieta vegana é capaz de fornecer toda a proteína necessária ao organismo humano em qualquer fase da vida, o que inclui também a infância e a gestação. Isso é verdadeiro não apenas em termos de quantidade, mas também em termos de qualidade, haja vista que as fontes vegetais de proteína fornecem todos os aminoácidos essenciais de que o corpo humano necessita. As fontes de proteína principais são as leguminosas (feijões, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja e derivados) e as oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas e sementes, como as de gergelim e girassol). Os aminoácidos obtidos dessas fontes ricas em proteína são completados por um aminoácido encontrado nos cereais integrais. Apesar de não serem alimentos ricos em proteínas, os cereais integrais contribuem completando as boas fontes anteriormente citadas, garantindo assim uma ingestão completa.
Mais uma vez vê-se que a fome é universal e não se importa com o preço do prato em que se come, mas sim a qualidade do alimento que ele contém.

REFERÊNCIAS:
http://www.alimentacaosaudavel.org/Proteinas.html
- http://www.nutriveg.com.br/sobre-a-suficiecircncia-proteacuteica-da-dieta-vegana.html
- http://www.significados.com.br/fome-aguda

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A FOME COMO MOTRIZ DA TRANSGENIA



            Visto pela primeira vez, o título deste post pode causar estranhamento ou mesmo desconfiança: como a fome, problema social em sua raiz, pode interferir em um assunto que depende primariamente de pesquisas científicas? A resposta é simples: com o aumento da população mundial e o não concomitante aumento das áreas de plantio de alimentos, os governos têm intensificado suas preocupações com a fome e como combatê-la.
            Dessa forma, os governantes, com o apoio da população instruída, vêm aumentando os investimentos em pesquisa na área de transgenia, que embora esteja envolta de questões éticas, tem provado ser possível o aumento do rendimento de culturas alimentares sem a necessidade de aumento exagerado de terras de plantio.
            De fato, O Prêmio Nobel da Paz norte-americano, Norman Ernest Borlaug, revelou acreditar que sem a agricultura intensiva, não há como alimentar a população mundial. Pesquisador e defensor dos alimentos transgênicos, Dr. Borlaug entende ser esta uma das soluções para a fome, um dilema pelo qual ele vem lutando há anos.
            Nesse contexto, é necessário “pesar” os prós e contras do cultivo de transgênicos. Essa técnica favorece o cultivo de espécies mais resistentes contra pagas e o aumento da produtividade. Entretanto, há a ressalva de que as consequências da ingestão de espécies transgênicas ainda não foram totalmente esclarecidas. Este é o centro da grande dúvida que envolve os transgênicos: eles fazem mal ou são inócuos ao organismo humano?
            Toda a questão sobre os alimentos transgênicos estabelece com a fome uma relação íntima, a partir do momento em que o cultivo de transgênicos barateia o custo da produção de alimentos (por aumentar a produtividade) e, com isso, facilita o acesso à alimentação, principalmente dos mais pobres.
            No Brasil, o cultivo de transgênicos está em desenvolvimento, embora ainda seja tímido. Isso porque o país apresenta uma área relativamente grande  que ainda poderia ser usada para cultivo e o país continua sendo um dos maiores exportadores mundiais de gêneros primários, como a soja(o que significa que a maioria dos países ainda prefere comprar alimentos nos quais não foram usadas modificações genéticas).
            Uma coisa é certa: é preciso lembrar que as pessoas não devem ser tratadas como cobaias, pois como já dito, as consequências da ingestão de alimentos geneticamente modificados ainda não foram totalmente esclarecidas. Num primeiro momento, é de se esperar que seja interessante para um agricultor colher o dobro de sua safra, e mais resistente, em um mesmo metro de terra. Mas ainda haverá muita discussão em torno dos transgênicos até que eles sejam considerados a ‘salvação da lavoura’. E pode se passar um tempo demasiado longo antes que a população seja inteirada dos efeitos de um alimento geneticamente modificado, que nem mesmo os países mais adiantados como os Estados Unidos não chegaram ainda a controlar. Enquanto agricultores, produtores, cientistas e ambientalistas não chegam a um consenso, a população continua crescendo, assim como a fome no mundo também.
            Deve-se ter cuidado para não transformar uma potencial ferramenta de extermínio da fome em um catalisador de caos social.
           


Fonte: http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3833/-1/alimentos-transgenicos.html#A Fome no Mundo: Polêmica e Ética - Quanto Vale uma Vida?