QUANDO A SAÚDE BATE APENAS ÀS
PORTAS MAIS BEM ADORNADAS
É inegável que uma maior quantidade de brasileiros
atualmente têm mais acesso à alimentação, quando se compara os números atuais de
pessoas desnutridas com os números de 40 anos atrás. No entanto, o aumento do
poder econômico não parece ter sido acompanhado de educação alimentar e o que
poderia indicar um avanço no sentido de uma população saudável, na verdade,
parece seguir o raciocínio contrário. Na verdade, as estatísticas de obesidade
parecem, surpreendentemente, predominar entre a classe C(a tão anunciada nova
classe média).
O preço é o principal entrave para que a comida saudável se
popularize no país. Empresários do setor relatam que, por utilizarem alimentos
frescos e perecíveis, seus custos são mais altos e a logística, mais complexa.
Daí os pratos serem mais caros.
“Quem não comia nada e passou a ter
condições de se alimentar não está preocupado com comida saudável. Essas
pessoas ainda estão em outro momento”, avalia Ricardo Daumas, diretor de
foodservice da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza. “Leva tempo até que se
informem, se aculturem e mudem para um padrão melhor de alimentação.”
Por tudo isso, a maioria dos negócios
que apostam em culinária saudável são voltados para consumidores das classes A
e B. Hoje, metade dos recursos que este público destina à alimentação
corresponde a gastos com refeições fora do lar, aponta o IBGE – porcentual
semelhante ao padrão europeu. Entre todas as classes sociais, entretanto, as
refeições fora de casa consomem 29% dos recursos com comida.
É
importante lembrar também que, além de terem condições de arcar com os custos
de dietas mais saudáveis, os constituintes das classes mais altas frequentemente
apresentam menor jornada de trabalho, maior tempo de exercícios físicos e maior
informação. Ao passo que pessoas de classes mais baixas ainda conservam a
mentalidade de que é saudável quem ingere maior quantidade de alimentos e não
possuem tanta informação nutricional adequada e, mais importantemente, ainda
não foram instruídos à “cultura dos alimentos verdes”.
Dessa
forma, as classes D e E são alvos fáceis da disseminação da cultura alimentar
midiática dos fast foods e frituras,
uma vez que são ludibriados com a ideia de que esse tipo de alimentação os enfeitará
com o status de classe média que,
afinal, demoraram tanto a conseguir. Enquanto alguns ainda repousam sobre o
ditado de que come melhor quem come mais, outros se conservam mais saudáveis
por mais tempo. Novamente, a doença parece escolher por classe social e a saúde
parece cobrar por honorários.
http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,preco-atrapalha--mas-alimentacao-saudavel-deve-chegar-ate-a-classe-c,1394,0.htm










